segunda-feira, junho 24, 2002

Assim é que se escreve
Recebo email cordial do colega Mauricio Neves, de Santa Catarina, colunista do site http://www.futbrasil.com.br. Ele também está confiante no penta e deseja boa sorte para o Flamengo - coisa na qual eu já não tenho muita esperança.
Maurico escreveu ANTES de Brasil x Inglaterra o texto abaixo. Eu digo: assim é que se escreve.
Ame a seleção
A bola chutada por Carlos Alberto Torres ainda não tinha voltado ao jogo. O Brasil celebrava o quarto gol contra a Itália, o futebol estava a nossos pés, que eram os pés reais de Pelé, santos de Tostão, furiosos de Jair, atômicos de Rivelino, fundamentais de Gérson, brasileiros da seleção. O tricampeonato mundial acabara de nascer sob o sol dourado da Cidade do México, e a voz de Jorge Cury que inundava o Azteca corria o Brasil de fio a pavio pelas ondas da Rádio Globo: - Agora nós somos tricampeões do mundo... tricampeões do mundo... três vezes campeões mundiais de futebol... e os derrotistas podem enfiar suas cabeças nos vasos das privadas, que a vitória é de quem sempre acreditou...
A seleção brasileira de 1970 sofreu com o descrédito. A história acabou por torná-la um time de fábula, mas os primeiros dias no México foram dias de dúvida, de descrença. Após a vitória contra a Romênia, a revista Placar registrou: - De que adianta todo o brilhantismo de nosso ataque, se a escuridão cobre toda a nossa defesa?
A Argentina foi eliminada do Mundial 2002 ainda na primeira fase. E os jornais argentinos exaltaram a raça de seus jogadores, lamentaram os azares dos dois últimos jogos e choraram o choro de quem sofre porque ama.
Eu não estou buscando agora um método para escrever. Os burros me acharão ufanista. Só me interessa registrar que me revolta essa falta de carinho que cerca a seleção brasileira, como se não fosse ela, seleção, e suas cores e suas camisas, parte dos sonhos do país que ama o futebol como futebol merece ser amado.
O jogo contra a Inglaterra ainda não está decidido, mas será tratado assim se a Inglaterra vencê-lo. Os burros dirão que não havia outra possibilidade. Burros, repito. A Inglaterra pode vencer o jogo, mas o Brasil tem inúmeras possibilidades de resolvê-lo, e bem. Ainda que o time não esteja pronto, ainda que a defesa falhe, porque é um jogo de futebol.
As burras verdades se propagam a partir das oitavas-de-final. A poderosa Inglaterra que atropelou a Dinamarca contra o aparvalhado Brasil que penou contra a Bélgica. Eu vi a Inglaterra fazer um grande jogo após fazer um a zero, muito pela falha dinamarquesa, sorte que não tocou ao Brasil.
Eu mesmo já disse, o futebol se resolve nas aparências, e por isso a Inglaterra atravessa um momento pré-jogo mais favorável. Ponto.
Deve ser um jogo duro, mas pode se abrir para qualquer um dos lados. Será sempre mais difícil a vitória brasileira enquanto a seleção for tratada assim pelos próprios brasileiros, por essa gente pobre e apagada que só se envolve com o nosso escrete quando este preenche seus conceitos pessoais.
Passou a hora do acerto. Esta é a hora quente do Mundial, da entrega total à paixão do jogo. Eu amo a seleção brasileira como amo o meu time, e só conheço o amor incondicional. Acredito numa vitória contra os ingleses. Daqui até a hora do jogo, de cada três pensamentos que me ocorrerem, três serão dedicados às fulminantes arrancadas de Ronaldo e a todas as outras formas que o Brasil tem de chegar às semifinais.
Ao jogo, brasileiros. Amem a seleção.



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